quinta-feira, 31 de julho de 2014

Quinta Sessão


Com tempo para me preparar, deixei tudo arrumado de véspera, em especial a “sacola de maldades”, apelido carinhoso para a bolsa onde guardo nossos acessórios SM. Meu Dono sempre me diz o que levar para a sessão, o que já me dá um friozinho de medo, quando pede coisas as quais ainda não me acostumei. Se é que irei me acostumar, pois as possibilidades de práticas são quase infinitas, imagino. Mas quando Ele diz “agulhas”, já me dá um arrepio. Nessa ele ainda disse “silver tape”.... ai ai ai, é para eu não gritar, será?

A roupa é sempre um prazer à parte, gosto do visual erótico, das meias finas, dos corpetes, rendas, cores, detalhes sensuais e bem femininos. Tudo isso tenho que pensar antes, porque se deixar para o dia da sessão é uma correria. Mesmo que a produção não vá durar nada, penso que o primeiro contato visual já deve ser capaz de provocar o tesão do Dono por Sua sub. E o Dono gosta da roupa, elogia, e me manda tirar, devagar, como Ele gosta, “para ver essa bunda que eu adoro, sub!”. Mal eu tiro tudo, já posso chupar meu Dono, com muita vontade, bem cadela, a essa hora já não existe mais nada que não seja o Dono, é o sentimento de cadela mesmo!

Esses deliciosos momentos de matar as saudades do Dono passam rápido pra Sub... o Dono me manda ficar de quatro, na beirada da cama, e já sei que é a hora de treinamento com o “monstro”, em preparação ao fisting anal que em breve se completará. Meu Dono é habilidoso e paciente. Sabe que é um processo lento, e não quer machucar Sua sub. Ceder um pouco por vez, é assim que Ele me ensinou. Mas cada vez esse “pouco” é obtido com algum esforço, é claro. Assim, meu Dono coloca e tira algumas vezes o monstro de mim, e a cada tentativa força um pouco mais. Alterna com seus dedos e mãos, o que é um alívio, além de um tesão enorme senti-Lo me tocando tão intimamente.

Quando julga que o treino foi suficiente, meu Dono me manda virar de costas, abrir as pernas, bem na beirada da cama. Sem descanso hoje, de uma prática para outra, já o vejo se preparando para usar as agulhas. Meu Dono avisou antes que hoje testaríamos as agulhas em meus lábios vaginais. Apreensiva, mas curiosa, e com muita confiança no Dono, não me apavorei. Sinto meu Dono mexendo em meus pequenos lábios, e então sinto uma dor aguda, inesperada, apesar de saber o que estava por vir, e tendo consentido em tudo previamente. Mas a dor me pega de surpresa, me assusto, a reação é automática: dou um grito alto, que sai como uma reação imediata, e fecho as pernas num reflexo. “Não faça isso”, ouço o Dono dizer, afinal, a agulha está traspassada por meus dois lábios vaginais, se eu fechar as pernas será pior, vou afundá-las mais ainda.

“Tire, por favor”, eu consigo dizer antes de começar a chorar. “Calma”, diz meu Dono, “vou tirar, você aguentou a dor de entrar, vai doer menos agora”. De fato, para tirar eu quase não senti nada, ou estava amortecida. Sentei na beirada da cama, meu Dono me abraçou, me acalmou, depois conversamos. Ele me disse para não me preocupar com as práticas, tudo virá a seu tempo, se vier, e sempre com meu consentimento, foi o que me reafirmou. Por atitudes como essa que meu Mestre Gold é meu Dono “dourado e adorado”! Admiro, respeito, confio, e quero superar todos os meus medos para satisfaze-Lo! Tentarei sempre, não posso prometer conseguir, mas estou aberta ao menos a tentar todas as práticas que meu Dono desejar.

Meu Dono passa para um momento de carinhos, abraços, e sexo, muito sexo, delicioso, gozo repetidas vezes, relaxo, até já esqueci as agulhas. Meu Dono não goza, se controla, e pergunto se Ele vai gozar. “Não, sub, só depois do seu spanking”. Ai, ai, a essa altura meu corpo já foi tão inundado de sensações, que receio se teria ainda energia para mais uma prática. Meu Dono percebe na hora que minha expressão mudou, perspicaz como Ele, não é à toa que é Dominador. “O que foi, sub? Não quer apanhar hoje”? Respondo que não é isso, e confesso que sempre me dá um medinho nessa hora, apesar de só a pergunta dele já me excitar e acender um desejo nessa sub-nem-tão-masoca, minha auto-definição, que a cada dia se torna menos verdade, pois tenho aprendido a apreciar a dor como alguém que adapta seu paladar a novos temperos. E sei que esse meu medinho também excita o Dono, sádico que é, e fica claro que somos mesmo o complemento um do outro.

O spanking é minha prática preferida, apesar do medo da dor. Porque é completo em seu simbolismo, é a síntese da dominação. Quem bate é o Dono, o Senhor, o que domina, o que usa o spanking como quiser, com que instrumento quiser, para seu prazer sádico, para punir, ou somente disciplinar. Pode ser fraco, quase uma carícia, ou violento, para marcar e subjugar. Meu Dono aprecia em especial a “cane”, nome bonito para a “vara”, que também pode ser usada do mais leve arrepio ao mais forte dos castigos, e quase sempre numa mistura entre os dois.

Fico de quatro e meu Dono começa a bater a cane devagar, em variados locais da minha bunda, e deixa Sua sub totalmente cor-de-rosa, um visual que acho sempre lindo de admirar. Aumenta o peso da surra aos poucos, marca com precisão o meio da minha bunda, e faz essas marcas mais pesadas como castigo. “Quero que aguente, sub!”, e Suas palavras me excitam e incentivam, e ao mesmo tempo Ele aumenta ainda mais a força de Suas pancadas. Peço minha safe intermediária para me refazer um pouco, mas quero continuar, quero agrada-Lo. Vem então a fita adesiva na minha boca. Nessa hora meu medo aumenta, penso que o Dono vai bater muito forte, pois nunca me amordaçou antes no spanking. O Dono me lembra o gesto combinado para representar a safeword final e recomeça o spanking com a cane, já forte desde o início. Pouco depois peço para parar. Mas o Dono não se decepcionou com Sua sub, sabe que aguentei bem.

Vem o melhor da sessão, eu acho, é meu momento de maior prazer, quando o Dono me come, com tesão, vontade, forte, e posso sentir Seu prazer em usar Sua sub, sei que Ele vai gozar, e para a Sub isso é um momento de realização. Penso que meu Dono vai gozar, mas Ele para e me manda sentar no chão, as costas apoiadas na beirada da cama, e nessa posição fico na altura exata para recebe-Lo em minha boca, a sub já doida de vontade de sentir o gosto do Mestre novamente. Ele me diz que vai gozar e que eu não engula, quer tudo na minha língua até a hora em que Ele mandar engolir. Amo ver o Dono gozar, gemer, e sentir seu gozo em mim. Depois de olhar Sua sub obedecendo-O e ver Seu gozo espalhado em minha boca Ele me deixa engolir, e a sessão termina assim, com a satisfação plena que só temos aqui neste espaço de prazer, liberdade, dominação e entrega.



terça-feira, 8 de julho de 2014

Quarta Sessão

        Foi uma sessão curta, de poucas práticas, mas intensa na emoção. Um recomeço, depois da relação quase perdida, por isso era especial, queria agradar ao Dono ainda mais do que antes. E meu Dono foi especialmente carinhoso nessa sessão, mostrou ser ainda o mesmo homem que eu conheci, educado e gentil, ao mesmo tempo em que é firme e sabe o que quer da Sua sub, um Dominador no melhor sentido da palavra, ao menos de acordo com a minha definição de Dominador “ideal” (antes que pensem que estou pregando a unicidade de comportamentos BDSMèr).
 
         A escolha da roupa foi livre para a sub dessa vez, estava curiosa para saber se Ele aprovara, ansiosa para agrada-Lo, e, sim, um elogio me deixou mais calma, porque essa sub estava tensa, como de costume. Ele me mandou me despir, o que fiz lentamente, com o olhar do Dono na sua “stripper” exclusiva. Em seguida deixa Sua sub matar a vontade de ser a cadela do Dono, lambendo-o e adorando-o como só uma cadela se satisfaz em fazer, começando aos pés do Dono e me deliciando longamente com Seu pau. Seu olhar enquanto o chupo compensa toda a espera e ansiedade, Seu tesão visível crescendo em minha boca deixa essa sub mais à vontade, e posso liberar meu tesão também. Aliás, tesão preso há semanas. Uma das regras do meu Dono é que a sub não se toca, muito menos goza sozinha, só com o Dono. E eu tinha o hábito quase diário de me satisfazer solitariamente. Tem sido um desafio que aceito sem questionar. Mas a recompensa vem logo no início, meu Dono me devora e ao mesmo tempo mata a fome da minha buceta, como eu gosto, de quatro, e me deixa gozar repetidas vezes. Mas Ele se controla, guarda Seu melhor para o final.
 
         Com a sub já relaxada, meu Dono vai conferir o treinamento para o “fisting”. Nas semanas anteriores, meu Dono já vinha me preparando para essa sessão com tarefas que fiz sob Sua supervisão, com um consolo gigante que recebeu o apelido carinhoso de “monstro”. É um processo lento, mas meu Dono é paciente e experiente. Testa minha evolução e força a entrada do nosso pequeno “monstro” um pouco mais. Entre uma tentativa e outro, eu descansava, respirava fundo, me mexia, e ouvia meu Dono dizer: “posição”! Suas ordens funcionavam como um gatilho para o meu tesão e vontade de agrada-Lo. Voltava imediatamente à posição, me oferecendo para receber o consolo, intercalado com Sua mão, e resisti o quanto pude, mas ainda não foi dessa vez. Mas o Dono está satisfeito e, mesmo sendo uma “sub-nem-tão-masoca” suportei bem essa mistura ainda inexplicável para mim mesma de prazer e dor que tem me realizado tão plenamente.
 
            E essa mistura é aplicada mais uma vez na inevitável surra de “cane”, que tanto agrada aos desejos sádicos do Dono e estou me acostumando a receber com a mesma mistura de sensações intensas de dor-prazer sentidas no fisting ou nas outras práticas que meu Mestre Gold me apresenta a cada sessão. E me descobrindo masoquista aos poucos. Dessa vez Ele começou devagar, batendo a cane rápido e em diferentes lugares, deixando a bunda da Sua sub toda rosa, e quente, muito quente. Assim bateu por vários minutos, aumentando a intensidade, até que falou: “essas últimas serão fortes, sub, conte-as e agradeça cada uma”. Nessas horas é que a submissa em mim precisa daquela resiliência que o BDSM tem me ensinado a cultivar e, ao final, a sensação é de satisfação, nos dois lados da chibata, e que só é completa com o gozo do Dono.