Com tempo para me preparar, deixei
tudo arrumado de véspera, em especial a “sacola de maldades”, apelido carinhoso
para a bolsa onde guardo nossos acessórios SM. Meu Dono sempre me diz o que
levar para a sessão, o que já me dá um friozinho de medo, quando pede coisas as
quais ainda não me acostumei. Se é que irei me acostumar, pois as
possibilidades de práticas são quase infinitas, imagino. Mas quando Ele diz
“agulhas”, já me dá um arrepio. Nessa ele ainda disse “silver tape”.... ai ai
ai, é para eu não gritar, será?
A roupa é sempre um prazer à parte,
gosto do visual erótico, das meias finas, dos corpetes, rendas, cores, detalhes
sensuais e bem femininos. Tudo isso tenho que pensar antes, porque se deixar
para o dia da sessão é uma correria. Mesmo que a produção não vá durar nada, penso
que o primeiro contato visual já deve ser capaz de provocar o tesão do Dono por
Sua sub. E o Dono gosta da roupa, elogia, e me manda tirar, devagar, como Ele
gosta, “para ver essa bunda que eu adoro, sub!”. Mal eu tiro tudo, já posso
chupar meu Dono, com muita vontade, bem cadela, a essa hora já não existe mais
nada que não seja o Dono, é o sentimento de cadela mesmo!
Esses deliciosos momentos de matar as
saudades do Dono passam rápido pra Sub... o Dono me manda ficar de quatro, na
beirada da cama, e já sei que é a hora de treinamento com o “monstro”, em
preparação ao fisting anal que em
breve se completará. Meu Dono é habilidoso e paciente. Sabe que é um processo
lento, e não quer machucar Sua sub. Ceder um pouco por vez, é assim que Ele me
ensinou. Mas cada vez esse “pouco” é obtido com algum esforço, é claro. Assim,
meu Dono coloca e tira algumas vezes o monstro de mim, e a cada tentativa força
um pouco mais. Alterna com seus dedos e mãos, o que é um alívio, além de um
tesão enorme senti-Lo me tocando tão intimamente.
Quando julga que o treino foi
suficiente, meu Dono me manda virar de costas, abrir as pernas, bem na beirada
da cama. Sem descanso hoje, de uma prática para outra, já o vejo se preparando para
usar as agulhas. Meu Dono avisou antes que hoje testaríamos as agulhas em meus
lábios vaginais. Apreensiva, mas curiosa, e com muita confiança no Dono, não me
apavorei. Sinto meu Dono mexendo em meus pequenos lábios, e então sinto uma dor
aguda, inesperada, apesar de saber o que estava por vir, e tendo consentido em
tudo previamente. Mas a dor me pega de surpresa, me assusto, a reação é automática:
dou um grito alto, que sai como uma reação imediata, e fecho as pernas num
reflexo. “Não faça isso”, ouço o Dono dizer, afinal, a agulha está traspassada
por meus dois lábios vaginais, se eu fechar as pernas será pior, vou afundá-las
mais ainda.
“Tire, por favor”, eu consigo dizer
antes de começar a chorar. “Calma”, diz meu Dono, “vou tirar, você aguentou a
dor de entrar, vai doer menos agora”. De fato, para tirar eu quase não senti
nada, ou estava amortecida. Sentei na beirada da cama, meu Dono me abraçou, me
acalmou, depois conversamos. Ele me disse para não me preocupar com as
práticas, tudo virá a seu tempo, se vier, e sempre com meu consentimento, foi o
que me reafirmou. Por atitudes como essa que meu Mestre Gold é meu Dono “dourado
e adorado”! Admiro, respeito, confio, e quero superar todos os meus medos para
satisfaze-Lo! Tentarei sempre, não posso prometer conseguir, mas estou aberta ao
menos a tentar todas as práticas que meu Dono desejar.
Meu Dono passa para um momento de
carinhos, abraços, e sexo, muito sexo, delicioso, gozo repetidas vezes, relaxo,
até já esqueci as agulhas. Meu Dono não goza, se controla, e pergunto se Ele
vai gozar. “Não, sub, só depois do seu spanking”.
Ai, ai, a essa altura meu corpo já foi tão inundado de sensações, que receio se
teria ainda energia para mais uma prática. Meu Dono percebe na hora que minha
expressão mudou, perspicaz como Ele, não é à toa que é Dominador. “O que foi,
sub? Não quer apanhar hoje”? Respondo que não é isso, e confesso que sempre me
dá um medinho nessa hora, apesar de só a pergunta dele já me excitar e acender
um desejo nessa sub-nem-tão-masoca, minha auto-definição, que a cada dia se
torna menos verdade, pois tenho aprendido a apreciar a dor como alguém que adapta
seu paladar a novos temperos. E sei que esse meu medinho também excita o Dono,
sádico que é, e fica claro que somos mesmo o complemento um do outro.
O spanking
é minha prática preferida, apesar do medo da dor. Porque é completo em seu
simbolismo, é a síntese da dominação. Quem bate é o Dono, o Senhor, o que
domina, o que usa o spanking como
quiser, com que instrumento quiser, para seu prazer sádico, para punir, ou
somente disciplinar. Pode ser fraco, quase uma carícia, ou violento, para
marcar e subjugar. Meu Dono aprecia em especial a “cane”, nome bonito para a “vara”, que também pode ser usada do mais
leve arrepio ao mais forte dos castigos, e quase sempre numa mistura entre os
dois.
Fico de quatro e meu Dono começa a
bater a cane devagar, em variados
locais da minha bunda, e deixa Sua sub totalmente cor-de-rosa, um visual que
acho sempre lindo de admirar. Aumenta o peso da surra aos poucos, marca com
precisão o meio da minha bunda, e faz essas marcas mais pesadas como castigo.
“Quero que aguente, sub!”, e Suas palavras me excitam e incentivam, e ao mesmo
tempo Ele aumenta ainda mais a força de Suas pancadas. Peço minha safe intermediária para me refazer um
pouco, mas quero continuar, quero agrada-Lo. Vem então a fita adesiva na minha
boca. Nessa hora meu medo aumenta, penso que o Dono vai bater muito forte, pois
nunca me amordaçou antes no spanking.
O Dono me lembra o gesto combinado para representar a safeword final e recomeça o spanking
com a cane, já forte desde o início.
Pouco depois peço para parar. Mas o Dono não se decepcionou com Sua sub, sabe
que aguentei bem.
Vem o melhor da sessão, eu acho, é
meu momento de maior prazer, quando o Dono me come, com tesão, vontade, forte,
e posso sentir Seu prazer em usar Sua sub, sei que Ele vai gozar, e para a Sub
isso é um momento de realização. Penso que meu Dono vai gozar, mas Ele para e me
manda sentar no chão, as costas apoiadas na beirada da cama, e nessa posição
fico na altura exata para recebe-Lo em minha boca, a sub já doida de vontade de
sentir o gosto do Mestre novamente. Ele me diz que vai gozar e que eu não engula,
quer tudo na minha língua até a hora em que Ele mandar engolir. Amo ver o Dono
gozar, gemer, e sentir seu gozo em mim. Depois de olhar Sua sub obedecendo-O e
ver Seu gozo espalhado em minha boca Ele me deixa engolir, e a sessão termina
assim, com a satisfação plena que só temos aqui neste espaço de prazer,
liberdade, dominação e entrega.
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