segunda-feira, 2 de junho de 2014

Marcas

“Love and Other Bruises”
Love and other bruises didn't have to choose us
But it did and  I'm alive and I'm trying to survive
Love and other bruises makes us all good losers
I can't help it talking loud it's because I'm on a cloud.
(Air Supply)

Air Supply é um grupo que me acompanha desde a infância, já denunciando minha idade. Formado em 1975, são 40 anos de sucessos e todo mundo que já ouviu à rádio “Antena 1” alguma vez na vida certamente ouviu “I Can Wait Forever”, ou “Making Love Out of Nothing at All”. Músicas para apaixonados, ou para dor de cotovelo, ou para românticos, simplesmente. Balada pop, que eu adoro e não nego minha falta de erudição musical, simplesmente adoro “pop music”. Por isso escolhi esse verso para ilustrar o que são as marcas para o Dono e eu, em nossa D/s.

 A primeira vez que prestei atenção à letra não entendi porque seríamos todos “good losers”, ou bons perdedores, talvez porque eu fosse muito nova para entender as diversas faces do amor. Também não entendi porque o amor teria “outros machucados”, sendo uma coisa tão boa, pensava eu, ingenuamente, na época. Hoje penso que Air Supply é muito SM. Ou, agora, vendo o mundo com lentes SM tudo fica um pouco diferente do que costumava ser na vida baunilha.

 Sim, “o amor e suas contusões não precisavam nos escolher, mas aconteceu e estamos sobrevivendo”, sem querer outra vida, eu acrescentaria ao final do verso. Sem querer outra vida que não essa intensa, roxa, sado-maso, paradoxal, em que tenho a mais profunda forma de liberdade ao ser possuída, e o mais intenso prazer ao me submeter à dor da chibata do meu Dono.

 Para a grande maioria das pessoas ter marcas no corpo, geradas pela pessoa que se ama é a mais pura loucura. Para uma submissa, masoquista, fetichista assumida é muito mais importante do que parece. E, sim, “pelas pessoas que amamos”, pois SM para mim não anda separado das emoções, e práticas pontuais são prazeres momentâneos, bons, possíveis, às vezes gratificantes, mas não suficientes.

As marcas são o resultado de um momento forte da sessão, e muitas vezes de um momento de superação da submissa. Na primeira sessão com meu Dono, foi o resultado do meu batismo como submissa {vergas}_Mestre Gold.

Depois da sessão, a marca é a presença constante do Dom em seu corpo, que já não mais pertence a ela, é a materialização da posse, a marca visível do que a submissa sente na alma. Isso é um sentimento SM frequente entre submissas (ou submissos). As marcas são registros, memórias, marcam propriedade, resultam de castigo ou práticas regulares, hora são troféus, hora exibidas, hora escondidas. Marcas são de fato parte integrante da vida SM e cada um vai encontrar o seu próprio significado e forma de adorar suas marcas.
São também incômodo no dia-a-dia baunilha, muitas vezes dóem por dias, há preocupação em esconde-las, alguns não podem te-las, mas isso não anula sua força simbólica.

Foto: {vergas}_Mestre Gold
 


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