Uma mulher se prepara para sair
com “aquele” cara especial. Se isso já é complicado na vida baunilha, imagina
na SM... É o preparo para “o jogo”, como alguns definem o momento da sessão. A
“play”, mas muito mais que isso, pois essa submissa quer o campeonato todo, não
apenas um amistoso. Não importa a idade, quantas vezes passou por isso, ou a
lista mental todinha de razões para estar ali ter sido recitada ao longo do
caminho. A bola de pelo no estômago é como a do primeiro beijo aos 13 anos.
Muita conversa tinha acontecido em
poucos dias: gostos, preferências, intimidades, generalidades, o suficiente
para que ambos se sentissem seguros para levar adiante a primeira sessão, de
muitas, se a afinidade de fato se confirmasse na pele. Nas mentes já haviam se
pesquisado o suficiente, num diálogo intenso e animado. Ocorre que, por termos
uma carga de experiências acumuladas, as lembranças de frustrações anteriores
voltam à mente sem convite.
Mas não agora. “Medo, saia de
mim”! Pensava esta submissa romântica, com o tesão aceso, sempre com esperança
de que “agora vai”. A vontade de se entregar, essa sensação difícil de definir.
“A entrega”, mantra das submissas, objetivo fetichista, tema de mais teoria do
que prática. “Eu me entrego, até a hora em que eu não gostar”, é o que de mais
comum acontece. Seja por medo, por vício baunilha, ou porque abandonar o
controle de suas vontades, medos e desejos nas mãos de outra pessoa é um
processo, por mais que se fantasie a submissão.
Ficar tranquila nunca foi a minha
especialidade... como começar? O que falar? Onde colocar a bolsa? Esses minutos
iniciais são sempre difíceis pra mim. Mas nesse dia estava decidida a não
deixar minha mente falar sem parar. Concentre-se! Foi fácil concentrar meu
olhar nesse homem, meu tesão em matéria. Pessoalmente Ele era melhor ainda.
Fotos são só uma idéia da pessoa. Mas o olhar, o contato, os detalhes, a
vibração, só nessa hora para se confirmar, numa mistura única de razão e
emoção.
Lembro que ofereci um licor,
descobri que ele não bebe nada, nunca. Surpresas do primeiro encontro. Não me
lembro da primeira frase, ou da primeira ordem. Lembro-me de estar de costas
para ele, dele me apalpar, de sentir seu corpo atrás de mim e de tentar
toca-lo. “Doida pra pegar, não é? Mas eu lhe dei permissão?”. Pois é, quase me
esqueço que somos Dom e sub se conhecendo, aqui não é o mundo baunilha, a
conduta é outra.
Já sem roupas, recebo tapas nos
seios, depois no rosto, fortes, seguidos. Por uns segundos não sei o que fazer,
o que dizer, não digo nada, esvazio a mente e O sigo. Acho que por isso deu
certo. Sem máscaras, o que eu sentia estava estampado no rosto. Mas ele era
para mim ainda um enigma, uma aposta a ser
confirmada, embora a intuição já tivesse dito “sim” no primeiro minuto.
Ao longo daquele primeiro jogo fui
conhecendo meu Mestre Gold. Tranquilo (em oposição à ansiedade pura da
submissa), simpático, gentil, controlado e controlador. Conduziu tudo, cada
cena, como se tudo já estivesse programado. Firme e educado, como um Dominador
experiente deve ser. Perfeito. Eu o chupei com vontade, beijei, lambi e O bebi.
Sim, bebi meu Dono, com voracidade, grudei minha boca em seu pau para não
perder nada quando Ele me ofereceu Sua chuva dourada, no chuveiro, eu de
joelhos, já entregue.
Não
sei dizer se meu “spanking” de batismo foi antes ou depois disso. Mas apanhei
como nunca esperei, batidas fortes, seguidas vezes com a “cane” no mesmo lugar.
Estava decidida a aguentar, e mesmo assim foi difícil. “Nessa sessão não vou
dar piti”, pensava eu, pois um vício baunilha me acompanha há muito tempo: vem
o medo na forma de uma mente tagarela
disparando pensamentos racionais, o conflito entre o controle e a entrega presente
o tempo todo. Mas resisti razoavelmente. Final do primeiro tempo. A submissa
agora é {vergas}_Mestre Gold.

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