quarta-feira, 4 de junho de 2014

Primeira Sessão


Uma mulher se prepara para sair com “aquele” cara especial. Se isso já é complicado na vida baunilha, imagina na SM... É o preparo para “o jogo”, como alguns definem o momento da sessão. A “play”, mas muito mais que isso, pois essa submissa quer o campeonato todo, não apenas um amistoso. Não importa a idade, quantas vezes passou por isso, ou a lista mental todinha de razões para estar ali ter sido recitada ao longo do caminho. A bola de pelo no estômago é como a do primeiro beijo aos 13 anos.

Muita conversa tinha acontecido em poucos dias: gostos, preferências, intimidades, generalidades, o suficiente para que ambos se sentissem seguros para levar adiante a primeira sessão, de muitas, se a afinidade de fato se confirmasse na pele. Nas mentes já haviam se pesquisado o suficiente, num diálogo intenso e animado. Ocorre que, por termos uma carga de experiências acumuladas, as lembranças de frustrações anteriores voltam à mente sem convite.

Mas não agora. “Medo, saia de mim”! Pensava esta submissa romântica, com o tesão aceso, sempre com esperança de que “agora vai”. A vontade de se entregar, essa sensação difícil de definir. “A entrega”, mantra das submissas, objetivo fetichista, tema de mais teoria do que prática. “Eu me entrego, até a hora em que eu não gostar”, é o que de mais comum acontece. Seja por medo, por vício baunilha, ou porque abandonar o controle de suas vontades, medos e desejos nas mãos de outra pessoa é um processo, por mais que se fantasie a submissão.

Ficar tranquila nunca foi a minha especialidade... como começar? O que falar? Onde colocar a bolsa? Esses minutos iniciais são sempre difíceis pra mim. Mas nesse dia estava decidida a não deixar minha mente falar sem parar. Concentre-se! Foi fácil concentrar meu olhar nesse homem, meu tesão em matéria. Pessoalmente Ele era melhor ainda. Fotos são só uma idéia da pessoa. Mas o olhar, o contato, os detalhes, a vibração, só nessa hora para se confirmar, numa mistura única de razão e emoção.

Lembro que ofereci um licor, descobri que ele não bebe nada, nunca. Surpresas do primeiro encontro. Não me lembro da primeira frase, ou da primeira ordem. Lembro-me de estar de costas para ele, dele me apalpar, de sentir seu corpo atrás de mim e de tentar toca-lo. “Doida pra pegar, não é? Mas eu lhe dei permissão?”. Pois é, quase me esqueço que somos Dom e sub se conhecendo, aqui não é o mundo baunilha, a conduta é outra.

Já sem roupas, recebo tapas nos seios, depois no rosto, fortes, seguidos. Por uns segundos não sei o que fazer, o que dizer, não digo nada, esvazio a mente e O sigo. Acho que por isso deu certo. Sem máscaras, o que eu sentia estava estampado no rosto. Mas ele era para mim ainda um enigma,  uma aposta a ser confirmada, embora a intuição já tivesse dito “sim” no primeiro minuto.

Ao longo daquele primeiro jogo fui conhecendo meu Mestre Gold. Tranquilo (em oposição à ansiedade pura da submissa), simpático, gentil, controlado e controlador. Conduziu tudo, cada cena, como se tudo já estivesse programado. Firme e educado, como um Dominador experiente deve ser. Perfeito. Eu o chupei com vontade, beijei, lambi e O bebi. Sim, bebi meu Dono, com voracidade, grudei minha boca em seu pau para não perder nada quando Ele me ofereceu Sua chuva dourada, no chuveiro, eu de joelhos, já entregue.

              Não sei dizer se meu “spanking” de batismo foi antes ou depois disso. Mas apanhei como nunca esperei, batidas fortes, seguidas vezes com a “cane” no mesmo lugar. Estava decidida a aguentar, e mesmo assim foi difícil. “Nessa sessão não vou dar piti”, pensava eu, pois um vício baunilha me acompanha há muito tempo: vem o medo na forma de  uma mente tagarela disparando pensamentos racionais, o conflito entre o controle e a entrega presente o tempo todo. Mas resisti razoavelmente. Final do primeiro tempo. A submissa agora é {vergas}_Mestre Gold.
 
 

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