segunda-feira, 23 de junho de 2014

Porque o BDSM faz bem!


O BDSM fez de mim uma pessoa melhor.  No primeiro post deste blog eu já falava sobre a relação de Dominação/submissão (D/s),  e de como uma D/s, por seu caráter intenso, nos ajuda na jornada do autoconhecimento. Hoje, refletindo nesse caminho, vejo o quanto de BDSM levei de bom para minha vida baunilha, como se intercambiaram essas duas dimensões, e pude lidar “lá” com as dificuldades de “cá”, o que se revelou um apoio psicológico potente. Meu maior “vício baunilha” é dar birra. Sim, mimada e birrenta, a criança interior em mim tem o pésssimo hábito de aparecer quando contrariada e se opor aos acontecimentos, negando-se a enxergar os fatos com clareza, numa atitude de enfrentamento que não contribui e só emperra a vida. Acontece comigo (ou acontecia) muitas vezes no trabalho, em família, nas situações mais demandantes da vida.

Ocorre que “comigo, não”, diz meu Dominador! Nessa D/s a birra tem castigo certo, consequências imediatas. Tem sermão, entendimento, aceitação, punição e mudança de conduta, nessa ordem, ou então tem tudo de novo, até a submissa aprender a se comportar como espera o Dono.          Isso me levou a respirar mais fundo e pensar melhor antes de reagir no meu dia-a-dia, nas relações com as pessoas. Em família, em especial. A mudança é visível, coisas que me fariam “dar um pitizinho” já não me abalam. Lido melhor com os problemas que se apresentam, perco menos a paciência, sou mais resiliente.        Essa seria a melhor palavra mesmo, resiliência, definida na psicologia como capacidade de lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem entrar em surto – ou sem dar birra. Ainda, a resiliência é fortalecida nos processos de tensão pelos quais passamos em nosso ambiente de vida, e com o tempo o ideal é adquirirmos mais resiliência a fim de termos mais forças para enfrentar as adversidades, que são inevitáveis.

              E não é o BDSM cheio de “adversidades”  para a submissa? Qual o caminho da entrega e da servidão, a não ser superar seus limites para bem servir ao Dono? Para abrir mão de sua vontade e obedecer ao Dominador, e também para progredir nas práticas, a submissa tem que ter autoconhecimento para administrar as emoções, autocontrole para não ceder aos impulsos (da criança birrenta interior), disciplina, disposição, otimismo. E quando o Dono diz, “quero que você aguente, sub!”? Precisa ou não de muita resiliência?

              Pesquisando, encontrei uma definição interessante: “estar resiliente é aprender a desenvolver a capacidade de ser flexível e coerente diante de situações de grandes desafios. Obter maior eficácia no desempenho, maturidade com as experiências, habilidade de focar nos objetivos, agir com propósito nas ações e projetos. A resiliência favorece à pessoa um olhar otimista da situação difícil, propicia fazer uma análise das razões do evento e assim sair fortalecida e amadurecida” (www.sobrare.com.br).

Leia de novo, agora com as lentes SM. Desafios, desempenho, experiências, objetivo, e ser mais e mais forte e madura, não poderiam estar na introdução do “Manual da Submissa”? E, conseguindo isso na dimensão BDSM, a transposição para a vida baunilha é imediata. Por isso penso hoje que o BDSM torna a todos nós, sejam submissos, submissas, dominadores, tops, bottoms, fetichistas, pessoas melhores: mais focadas, controladas, maduras, e tudo isso com alegria, otimismo, e muito prazer!
           No entanto, o crescimento pessoal e a realização só se concretizam em uma relação D/s satisfatória, em que Dom e sub tem afinidades, estão ambos envolvidos e empenhados na construção da relação e na evolução como pessoas, para além do BDSM. Em uma relação na qual o Dom, sobretudo, exerce seu papel com responsabilidade, ética, e atenção a Sua submissa. Caso contrário, pode ser desastroso, em especial para a submissa, que vejo como a parte mais frágil nessa troca, pela intensidade da entrega que faz da sua vontade e pelo domínio psicológico ao qual se submete numa D/s. Por isso tudo o BDSM me faz tão bem.

 

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