O BDSM fez de
mim uma pessoa melhor. No primeiro post
deste blog eu já falava sobre a relação de Dominação/submissão (D/s), e de como uma D/s, por seu caráter intenso,
nos ajuda na jornada do autoconhecimento. Hoje, refletindo nesse caminho, vejo
o quanto de BDSM levei de bom para minha vida baunilha, como se intercambiaram
essas duas dimensões, e pude lidar “lá” com as dificuldades de “cá”, o que se
revelou um apoio psicológico potente. Meu maior “vício baunilha” é dar birra. Sim,
mimada e birrenta, a criança interior em mim tem o pésssimo hábito de aparecer quando
contrariada e se opor aos acontecimentos, negando-se a enxergar os fatos com
clareza, numa atitude de enfrentamento que não contribui e só emperra a vida.
Acontece comigo (ou acontecia) muitas vezes no trabalho, em família, nas
situações mais demandantes da vida.
Ocorre que
“comigo, não”, diz meu Dominador! Nessa D/s a birra tem castigo certo,
consequências imediatas. Tem sermão, entendimento, aceitação, punição e mudança
de conduta, nessa ordem, ou então tem tudo de novo, até a submissa aprender a
se comportar como espera o Dono. Isso
me levou a respirar mais fundo e pensar melhor antes de reagir no meu
dia-a-dia, nas relações com as pessoas. Em família, em especial. A mudança é
visível, coisas que me fariam “dar um pitizinho” já não me abalam. Lido melhor
com os problemas que se apresentam, perco menos a paciência, sou mais
resiliente. Essa seria a melhor palavra
mesmo, resiliência, definida na psicologia como capacidade de lidar com
problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem
entrar em surto – ou sem dar birra. Ainda, a resiliência é fortalecida nos
processos de tensão pelos quais passamos em nosso ambiente de vida, e com o
tempo o ideal é adquirirmos mais resiliência a fim de termos mais forças para
enfrentar as adversidades, que são inevitáveis.
E
não é o BDSM cheio de “adversidades”
para a submissa? Qual o caminho da entrega e da servidão, a não ser
superar seus limites para bem servir ao Dono? Para abrir mão de sua vontade e
obedecer ao Dominador, e também para progredir nas práticas, a submissa tem que
ter autoconhecimento para administrar as emoções, autocontrole para não ceder
aos impulsos (da criança birrenta interior), disciplina, disposição, otimismo.
E quando o Dono diz, “quero que você aguente, sub!”? Precisa ou não de muita
resiliência?
Pesquisando,
encontrei uma definição interessante: “estar
resiliente é aprender a desenvolver a capacidade de ser flexível e coerente
diante de situações de grandes desafios. Obter maior eficácia no desempenho,
maturidade com as experiências, habilidade de focar nos objetivos, agir com
propósito nas ações e projetos. A resiliência favorece à pessoa um olhar
otimista da situação difícil, propicia fazer uma análise das razões do evento e
assim sair fortalecida e amadurecida” (www.sobrare.com.br).
Leia de novo,
agora com as lentes SM. Desafios, desempenho, experiências, objetivo, e ser
mais e mais forte e madura, não poderiam estar na introdução do “Manual da
Submissa”? E, conseguindo isso na dimensão BDSM, a transposição para a vida
baunilha é imediata. Por isso penso hoje que o BDSM torna a todos nós, sejam
submissos, submissas, dominadores, tops, bottoms, fetichistas, pessoas
melhores: mais focadas, controladas, maduras, e tudo isso com alegria,
otimismo, e muito prazer!
No entanto, o
crescimento pessoal e a realização só se concretizam em uma relação D/s
satisfatória, em que Dom e sub tem afinidades, estão ambos envolvidos e
empenhados na construção da relação e na evolução como pessoas, para além do
BDSM. Em uma relação na qual o Dom, sobretudo, exerce seu papel com
responsabilidade, ética, e atenção a Sua submissa. Caso contrário, pode ser
desastroso, em especial para a submissa, que vejo como a parte mais frágil
nessa troca, pela intensidade da entrega que faz da sua vontade e pelo domínio
psicológico ao qual se submete numa D/s. Por isso tudo o BDSM me faz tão bem.

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