Depois da
inesquecível segunda sessão, a relação D/s se intensificou. Meu Dono passou a
dedicar mais tempo ainda a moldar Sua sub, conhecendo-a melhor, conversando
mais, passando tarefas diárias.
No entanto,
obrigações da vida baunilha pressionavam a sub ao mesmo tempo. O conflito é
permanente, é constante a luta por equilíbrio entre as obrigações baunilha e SM
(e pelos prazeres de ambos os lados da vida). Mas no início de um
relacionamento esse equilíbrio é mais instável, seja por desconhecimento do
outro, seja por ansiedade, ou pela própria dinâmica das relações, não sei
deizer ao certo, mas sempre tenho essa sensação de insegurança nos inícios.
Já estou
justificando o que virá pela frente.... Era para ser uma sessão rápida, num
horário espremido das agendas, mas não menos importante para o Dono e Sua sub.
Afinal, cada oportunidade de encontro SM é
uma janela bem-vinda na vida baunilha, mesmo quando estamos pressionados
pelos nossos outros papéis, é assim que S/sentimos.
Mas a sessão foi
mais do que rápida, foi interrompida na metade. No início correu bem. Despir-me
para o Dono é sempre uma delícia, só pela recompensa em Seu olhar. Ajoelhar a
Seus pés, tirar Suas roupas, beijá-lo, é entrar aos poucos em outro mundo.
O Dono iniciou
a sessão pelas agulhas, ainda muito temidas e desconhecidas. Precisamos ter
mais intimidade, eu e elas... Vendada, não sei quando nem quantas virão. Sinto
as dores agudas com as quais irei me acostumar. Dono tira minha venda, e a
imagem de quatro agulhas em cada seio, formando um quadrado ao redor do bico,
me deixa admirada, acho lindo. Ao tirá-las, o sangue escorre, sensação nova,
mas não desagradável.
Um momento de
relaxamento, na cama, conversando sobre os acontecimentos da semana, e comento
algo que eu deveria ter dito ao Dono imediatamente, no dia que aconteceu, mas
omiti. Errei duplamente: não dei a devida atenção a uma ordem do Dono, e acabei
por desobedece-la. A ordem tinha sido clara, eu deveria informar ao Dono se
qualquer outro Dom me abordasse, a que pretexto fosse. “Qualquer outro Dom
incluía meu ex-Dono, né, sub?”, agora eu sei. Meu ex-Dono perguntou se eu
estava bem, teclamos um pouco, só isso. Ocorre que isso foi depois de meses sem
nos falarmos, mais de um mês depois de eu postar meu “destrato” nas redes
sociais, porque não conseguia contato com ele nem para terminar, tamanho foi o
abandono de meses com que tudo terminou. Mas isso é outra história. Ou
seria....não tivesse eu omitido esse contato do Dono.
Mas não dei
importância, não comentei, e saiu naquele momento. Só percebi tudo isso quando
o Dono disse: - “o que? Porque não me contou antes?” Ai, ai, ai.....
desentendimento completo. Sem justificativa, a sub fez tudo errado: não
perceber que tinha que contar, não dar importância, não contar, e ainda contar
tudo agora, assim, como se não fosse nada e ficar tão surpresa com a reação
dura do Dono.
“De pé,
apoie-se ali”, disse o Dono, e me amarrou as mãos e os pés, enquanto explicava
os motivos de Sua irritação e porque a sub seria punida. Só então comecei a me
dar conta do contexto, de tudo que não entendi, do meu erro. Mas, ainda assim,
achava exagerada a reação. Assim como senti exageradamente ou foram mesmo mais
fortes as chibatadas da cane, não sei dizer ao certo. Fato é que disse a
“safeword” pouco depois que o Dono começou. O Dono parou imediatamente, pois
combinado é combinado. Visivelmente irritado com tudo e com minha recusa em ser
punida, a sessão acabou ali, em silência. Ao sair, Ele me diz: “não fale comigo
até amanhã à tarde, e reflita sobre tudo que aconteceu”.
Ocorre que a
confusão mental era enorme àquela altura. O tempo para refletir só piorou a
situação que, somada a novos problemas na vida baunilha deixaram essa submissa
num estado de tensão enorme. A mente sobrecarregada de informações, as emoções
saíram do controle. Estava triste, com raiva de mim e de outros, e num estado
de “birra”, não refleti. Continuei a desobedecer, mandei mensagem pro Dono mesmo
antes da hora devida e, quando finalmente nos falamos, tivemos uma conversa
acalorada, o Dono foi duro, eu fui birrenta, acabei dizendo que entregava a
coleira ali, naquela hora, num rompimento imprevisto, indesejado e
intempestivo.
Passei os dias
seguintes remoendo tudo. As coisas na vida baunilha se acalmaram, veio o final
de semana, e só então refleti de fato sobre tudo que aconteceu, e como coloquei
a perder o que parecia ter tudo para funcionar. Como uma sucessão de atitudes mal
pensadas me colocou de novo em situações que já vivi anteriormente. Nem sei quantos foram meus erros, uma
sucessão de atitudes que não cabem a uma submissa: não dar atenção a ordens do
Dono, omitir informação, julgar por mim mesma sem considerar os sentimentos do
Dono, agir como criança birrenta, entregar a coleira, assim, como se fosse
nada. Tudo fora do controle.
Com a mente
mais calma, enviei uma mensagem com
pensamentos mais claros ao agora “ex-Dono”, expliquei como vi a situação e pedi
desculpas, reconhecendo que eu acabei com N/ossa promissora relação, e estava
arrependida. De fato, concordou Ele, estava acabado, já me chamando pelo meu
nome civil.
Mais uns dias
se passaram, eu tentando seguir e aceitar os fatos, ainda amortecida, tentando
aprender a lição para não errar mais tão feio assim numa próxima relação, tentando
me perdoar e me refazer. “Seguir em frente, sempre”, era o que pensava.
“Limpei” meu perfil, apaguei as fotos das nossas primeiras sessões, mas,
olhando as fotos daquela última “meia sessão” fiz uma montagem com algumas para agradecer ao
Dono o pouco tempo que tivemos, e postei em Sua homenagem, na esperança de que
Ele não guardasse mágoas de mim.
Mas acredito
em algo maior que move nossas vidas, vibrações que não sentimos, forças que não
vemos, e que nos levam de volta ao nosso caminho. Meu Dono viu minha pequena
homenagem e elogiou as fotos. Eu vi ali uma pequena luz. Em uma uma nova
conversa, meu Dono me concedeu uma segunda chance de acertar, e não vou
desperdiça-la.
Gostosinho seu blog...amei as agulhas,sou fã delas,beijosssssssssssss
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